Já que é preciso contemporaneizar sua postura intelectual e percepção social para apreciar as palavras deste bloco de histórias, extenda então esta postura para as situações cotidianas.

* Se a estética é a ciência do sentir, então Os anões de Veronica Stigger sugere algo com uma ciência da dessensibilização, uma anestética.
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Aristóteles definia a tragédia como mimesis práxeos, uma “imitação dos atos”, que suscita o terror e a piedade. Em Veronica Stigger temos algo como um “sistema de atos”, sem terror e sem piedade, no que seria a tragédia contemporânea, a tragédia da falta de terror e de piedade. Georges Bataille, ao estudar o sacrifício como modelo da representação artística, e em especial da tragédia, apontou nele o aspecto essencialmente espetacular, que faz com que a morte seja sempre e unicamente revelada por identificação com a vítima, por pessoa interposta, e nunca no próprio sujeito, impedido de ser consciente da própria morte. O que o fez declarar que o sacrifício é simplesmente “uma comédia”. Pergunto-me se aqui também, nas narrativas e micro-narrativas de Veronica Stigger, não encontramos elementos para pensar o que sobra da tragédia na contemporaneidade, na falta de tragédia e de sacrifício que caracteriza o nosso tempo, todo ele convertido simplesmente em comédia. Comédia da imagem.
*João Camillo Penna é professor de
Literatura Comparada e Teoria Literária na UFRJ
Literatura Comparada e Teoria Literária na UFRJ
* vide sinopse e dados tecnicos em Comentários.